Eram 13 reuniões por semana. Cada uma gerava pelo menos 3 ações. 39 ações por semana pra rastrear manualmente, e eu esquecia em torno de 30% delas. Hoje o processo leva 2 minutos depois de cada reunião, e 100% das ações chegam no ClickUp sem eu digitar nada.
Qual era o problema antes das 13 reuniões por semana?
Eu tinha (e ainda tenho) 13 reuniões fixas por semana: calls com clientes, alinhamentos de equipe, mentorias no G4, revisões de produto. Em cada uma dessas reuniões surgem decisões, ações e follow-ups. O problema nunca foi a reunião em si. O problema era o que acontecia depois.
O fluxo manual era mais ou menos assim: termino a call, abro o Notion ou um bloco de notas, tento me lembrar do que ficou combinado enquanto a próxima reunião já está começando. Anoto umas 4 ou 5 coisas. Esqueço 2. Uma semana depois alguém me pergunta “e aquela tarefa do cliente X?” e eu não faço a menor ideia do que aconteceu com ela.
Fiz uma conta rápida em março de 2025: 30% das ações combinadas em reunião não eram executadas porque simplesmente sumiam. Não eram descartadas por decisão consciente. Eram esquecidas porque o processo de captura era manual, dependente de memória e concorria com outras 12 reuniões na fila.
Esse é o custo real do processo manual: não é o tempo de digitar as notas. É a ação que some, o cliente que não recebeu o follow-up, o projeto que atrasou porque ninguém criou a tarefa.
Como funciona o workflow passo a passo?
O workflow tem 4 etapas e roda quase inteiramente sozinho. Minha participação é 2 minutos de revisão no final.
Etapa 1: a reunião acontece no Zoom. O Fathom entra automaticamente como participante, grava, transcreve em tempo real e, ao final da reunião, gera um sumário estruturado com decisões e itens de ação identificados por IA.
Etapa 2: o Claude Code lê a transcrição. Via MCP, o agente acessa o output do Fathom (ou o arquivo de transcrição exportado), processa o conteúdo e extrai três coisas específicas: decisões tomadas, ações com responsável atribuído, e prazo quando mencionado.
Etapa 3: cada ação vira task no ClickUp. O agente cria as tasks automaticamente no espaço correto, com título, descrição, responsável e data de entrega. Se a ação é de um cliente, vai pro espaço de Clientes. Se é interna, vai pro espaço da área correspondente.
Etapa 4: resumo por e-mail (opcional). O agente monta um resumo da reunião e pergunta se eu quero enviar pros participantes antes de disparar. Não manda nada sem confirmação.
Tempo total da minha parte: revisar as tasks criadas, ajustar alguma que ficou ambígua, confirmar ou não o envio do e-mail. Dois minutos.
Como configurar o Fathom com o Claude Code?
O Fathom tem uma versão gratuita decente, mas pra esse workflow eu uso o plano pago porque preciso do export da transcrição completa em texto, não só do sumário gerado pela IA deles. O plano Team Starter cobre isso.
A configuração no lado do Fathom é simples: ativa o bot de gravação automática pra reuniões Zoom (ou Google Meet, funciona nos dois), e configura o export automático da transcrição pro e-mail ou pro webhook se você quiser integração mais direta.
No lado do Claude Code, você precisa do MCP do Fathom ou, se preferir uma abordagem mais simples, do MCP de e-mail (o agente lê o e-mail que o Fathom envia com a transcrição). Eu uso essa segunda abordagem porque é mais robusta, não depende de webhook configurado corretamente.
O setup concreto: o Claude Code tem acesso ao meu Outlook via MCP. Quando termina uma reunião, eu digito uma instrução simples no Claude Code: “processa a reunião do cliente X que acabou de terminar”. O agente busca o e-mail mais recente do Fathom, lê a transcrição e executa o resto do workflow.
Um ponto importante: o Fathom transcrevia errado nomes brasileiros nos primeiros meses. “Érica” virava “Erica”, “João” virava “Joao”, e alguns sobrenomes ficavam completamente errados. A solução foi simples: adicionei um vocabulário customizado nas configurações do Fathom com os nomes dos meus clientes e da equipe. Resolveu 95% dos casos.
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Fazer o mapeamentoQual é o prompt que extrai ações de verdade?
Esse foi o ponto que mais demorou pra afinar. O Claude, sem um prompt bem estruturado, extraía ações genéricas demais. “Fazer follow-up com o cliente” não é uma tarefa. “Enviar proposta revisada pro João da o escritório de advocacia até sexta-feira” é uma tarefa.
O prompt que uso hoje tem três exigências explícitas: a ação precisa ter um verbo específico (enviar, revisar, criar, agendar, não “verificar” ou “discutir”), precisa ter um responsável (quem da equipe ou eu mesmo), e precisa ter um critério de conclusão claro.
O prompt completo que roda no Claude Code é este aqui:
Leia a transcrição abaixo e extraia todas as ações combinadas.
Para cada ação, retorne:
- Título: verbo no infinitivo + objeto específico (ex: "Enviar proposta revisada pro João / o escritório de advocacia")
- Responsável: nome exato mencionado, ou "Eric" se não especificado
- Prazo: data exata se mencionada, ou "sem prazo definido"
- Contexto: 1 frase explicando o que motivou essa ação
Regras:
1. Só inclua ações concretas com verbo de execução
2. "Vamos pensar sobre X" não é ação. "Eric vai decidir sobre X até quinta" é ação.
3. Se o responsável não foi mencionado mas a ação é claramente do Eric, atribua ao Eric
4. Máximo 8 ações por reunião. Se tiver mais, priorize as que têm prazo
Transcrição:
[TRANSCRIÇÃO AQUI]
A chave é a regra 2. Ela elimina 70% dos falsos positivos que o Claude gerava antes, quando extraía itens como “discutir estratégia de marketing” que eram mais conversas do que compromissos reais.
Como as tasks chegam no ClickUp e em qual espaço?
Essa parte exigiu uma decisão de arquitetura que vale explicar. O ClickUp da Expert Integrado tem 8 spaces: Clientes, Operações, Marketing, Comercial, Produto, Educacional, AI Innovation Labs e Administrativo. Uma task criada no espaço errado é quase tão ruim quanto uma task não criada.
O agente decide o espaço com base no contexto da reunião. Se eu disse “processa a reunião com o cliente o escritório de advocacia”, ele sabe que vai pro espaço de Clientes, na pasta do cliente específico. Se é uma reunião de alinhamento interno com o time de marketing, vai pro espaço Marketing.
Quando há ambiguidade, o agente pergunta antes de criar. Prefiro perguntar uma vez do que criar no lugar errado e ter que mover depois.
A task chega com: título no formato que definimos no prompt, descrição com o contexto de 1 frase, responsável mapeado pro usuário correto do ClickUp, e data de entrega quando existe. Nada de campo em branco que vai gerar confusão depois.
Um ajuste que fiz depois de 2 semanas: adicionei uma etapa de revisão obrigatória antes de criar no ClickUp. O agente me mostra as tasks que vai criar e eu confirmo antes do disparo. Isso porque algumas reuniões têm ações que dependem de contexto que o agente não tem, e é mais rápido ajustar no preview do que editar no ClickUp depois.
Quanto tempo esse workflow economiza por semana?
A conta é direta. Antes: 13 reuniões, média de 15 minutos de pós-processamento manual cada (notas, tasks, follow-ups). São 195 minutos por semana, ou 3h15 só em burocracia pós-reunião.
Hoje: 2 minutos por reunião de revisão. São 26 minutos no total. Economizo perto de 2h45 por semana.
Mas o número que mais importa pra mim não é o tempo economizado. É o 30% de ações perdidas que hoje é praticamente zero. Não tenho mais aquela sensação de “tinha combinado alguma coisa com o fulano e não lembro o que era”. Toda reunião tem registro, toda ação tem dono, todo compromisso tem data.
Em termos de custo, o setup todo fica em torno de R$ 120/mês: Fathom plano pago mais o Claude Code (que eu já usaria de qualquer jeito). Não é custo zero, mas é absurdamente barato pra eliminar 30% de ações perdidas em 13 reuniões por semana.
Perguntas frequentes
O Fathom funciona com reuniões em português? Funciona bem, com uma ressalva: nomes próprios brasileiros precisam de vocabulário customizado nas configurações. Sobrenomes compostos e nomes menos comuns ainda erram às vezes. Mas o conteúdo em português, a transcrição em si, é muito boa, comparável ao que eu via em inglês. Configura o vocabulário customizado com os nomes da sua equipe e dos seus clientes principais, e o problema some em grande parte.
Precisa do plano pago do Fathom pra fazer isso funcionar? Pra esse workflow específico, sim. O plano gratuito do Fathom não exporta a transcrição completa em texto, só o sumário gerado pela IA deles. E o sumário deles, embora bom, não dá o controle granular que o Claude precisa pra extrair ações com qualidade. O plano Team Starter cobre tudo que você precisa. Se você tem menos reuniões ou um orçamento mais apertado, dá pra adaptar usando o Google Meet com transcrição nativa, que é gratuita, mas a qualidade da transcrição é inferior.
E se a reunião não foi gravada? Dá pra fazer com anotações manuais? Sim, funciona bem também. Você passa as anotações manuais pro Claude no lugar da transcrição e usa o mesmo prompt. O resultado é um pouco menos preciso porque anotações manuais costumam ser fragmentadas, mas ainda assim muito melhor do que processar tudo na mão. Eu uso essa abordagem pra reuniões presenciais onde o Fathom não entra.
O agente manda o e-mail de resumo automaticamente? Não, e isso foi uma decisão consciente. O agente monta o e-mail e me mostra antes de enviar, eu confirmo. Já tive situações onde o resumo capturou alguma coisa que não faz sentido enviar pro cliente, ou onde a reunião era interna e não precisava de registro externo. O e-mail automático sem revisão criaria mais problemas do que resolveria.
Quanto tempo leva pra configurar tudo isso do zero? Se você já tem Claude Code e Fathom configurados, a integração em si leva umas 2 horas. A maior parte do tempo vai pro ajuste do prompt, que você vai querer testar com 3 ou 4 transcrições reais antes de confiar plenamente. Se você ainda não tem nenhuma das ferramentas, conta com um dia inteiro incluindo a curva de aprendizado. Não é um setup de 15 minutos, mas também não é um projeto de semanas.
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