Um script de 5 perguntas aplicado no WhatsApp antes de marcar a reunião filtra caso fora do perfil do escritório: área do direito, urgência ou prazo prescricional, documentação disponível, valor da causa ou complexidade, e localização ou competência territorial. Sem isso, o advogado descobre que o caso não serve só depois de já ter gasto 30, 40 minutos numa sala.
Advogado não vende hora de reunião, vende hora de análise jurídica qualificada. Cada reunião com caso fora do perfil (área que o escritório não atende, valor de causa incompatível, comarca fora de alcance) é hora que sai da agenda de quem paga a conta.
A maioria dos escritórios ainda triagem por telefone ou recepção, sem roteiro fixo: cada atendente pergunta de um jeito e deixa passar caso que nunca deveria virar reunião.
Por que a triagem antes da reunião evita perda de tempo do advogado?
Sem triagem prévia, o escritório descobre que o caso é inviável só na própria reunião, depois de já ter reservado 30 a 60 minutos da agenda do sócio ou associado. Isso acontece com mais frequência do que parece: área errada, valor de causa baixo demais pro modelo do escritório, ou comarca fora da região de atuação.
O script de 5 perguntas resolve isso antes: roda no WhatsApp, por texto, e coleta o essencial em menos de 5 minutos de troca de mensagem. Só depois dessas respostas o agendamento acontece.
Não acho que reunião de diagnóstico deva ser porta de entrada padrão pra todo mundo: em advocacia isso é caro, porque o tempo do advogado é o produto, e cliente errado na reunião é tempo que faltou pra um caso que realmente convertia.
Quais são as 5 perguntas do script de qualificação jurídica?
As 5 perguntas cobrem o que o advogado precisa saber antes de aceitar a reunião: área do direito, urgência ou prazo, documentação, valor ou complexidade, e localização. Cada uma tem uma função de filtro específica, não é conversa fiada.
- Área do direito: direciona pro advogado certo e barra caso fora da especialidade do escritório.
- Urgência e prazo prescricional: separa caso que precisa de atenção em horas do que pode esperar dias.
- Documentação disponível: mede se o cliente já tem o mínimo pra uma análise real acontecer na reunião.
- Valor da causa ou complexidade: filtra caso incompatível com o modelo de atuação e ticket do escritório.
- Localização e competência territorial: evita agendar reunião pra caso que tramita numa comarca que o escritório não atende.
Pergunta 1: qual é a área do direito do caso?
A primeira pergunta separa o caso pela especialidade: “Sua situação é mais relacionada a trabalhista, cível, família, empresarial, consumidor ou outra área?” Escritório que atua em 2 ou 3 áreas precisa saber isso antes de qualquer coisa.
Um escritório especializado em direito empresarial não deveria gastar reunião com caso de pensão alimentícia, e o inverso também vale. A pergunta parece óbvia, mas é a que mais gente pula quando a triagem é feita de improviso por telefone.
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Quero o diagnóstico gratuitoPergunta 2: existe prazo prescricional ou urgência real correndo?
“Você tem algum prazo judicial correndo ou um limite de tempo pra tomar essa decisão?” identifica o caso que não pode esperar na fila normal de agendamento. Em direito, prazo perdido às vezes significa direito perdido, sem volta.
O prazo varia por área: numa ação trabalhista, por exemplo, é de até 2 anos após o fim do contrato pra reclamar direitos dos últimos 5 anos trabalhados; numa ação cível, pode ir de 1 a 10 anos dependendo do direito discutido.
Caso com prazo se resolve nas próximas 24 a 48 horas, com contato direto de um advogado, não numa fila de agendamento padrão. Caso sem prazo apertado entra na agenda normal da semana. Essa distinção sozinha já evita boa parte da fricção que hoje trava a resposta rápida pro cliente que realmente precisa dela.
Pergunta 3: o cliente já tem a documentação básica organizada?
“Você já tem os documentos relacionados ao seu caso em mãos, como contrato, notificação ou boletim de ocorrência?” não desqualifica ninguém, mas muda o roteiro da reunião. Sem isso, o advogado corre risco de análise vazia.
Reunião sem documento em mãos vira conversa genérica, não análise de caso concreto. O ideal é orientar o cliente a reunir o básico (contrato, notificação, boletim de ocorrência, laudo, conforme a área) antes do encontro.
Isso muda o resultado da reunião de forma direta: análise com documento em mãos avança pra proposta de honorários no mesmo encontro. Sem documento, a reunião costuma terminar em “traz isso e a gente remarca”, o que é tempo perdido pra ambos os lados.
Pergunta 4: qual o valor da causa ou a complexidade do caso?
“Qual é o valor envolvido nessa questão, mesmo que aproximado?” filtra caso fora do modelo de atuação do escritório. No Brasil, causas de até 20 salários mínimos podem tramitar no Juizado Especial Cível sem exigência de advogado, e de 20 a 40 salários mínimos exigem representação.
Escritório que atua com causas empresariais de alto valor não tem modelo compatível com causa de baixo valor que já cabe no Juizado Especial sem advogado. E o inverso: escritório de pessoa física pode não ter estrutura pra contencioso empresarial complexo, com múltiplas partes e perícia técnica.
Sendo bem sincero, essa é a pergunta que mais gera desconforto de perguntar direto, porque parece que o escritório só quer saber “quanto vai ganhar”. Mas o enquadramento certo resolve isso: não é sobre dinheiro do cliente, é sobre se o escritório tem o modelo certo pra aquele tipo de causa.
Pergunta 5: o caso está dentro da competência territorial do escritório?
“Em qual cidade ou comarca esse processo tramita ou vai tramitar?” evita agendar reunião pra caso fora da área de atuação prática do escritório. Em regra, ação de direito pessoal tramita no foro do domicílio do réu, o que já define de saída se o escritório consegue acompanhar o processo com eficiência.
Escritório que atua presencialmente numa cidade e recebe caso que vai tramitar numa comarca a 300 km de distância precisa decidir antes da reunião: aceita com parceria local, aceita 100% remoto, ou não aceita. Essa decisão não deveria acontecer depois que o cliente já passou 40 minutos contando o caso todo.
Como aplicar o script sem soar como interrogatório?
O script funciona em sequência conversacional, com transição entre perguntas, não como formulário disparado de uma vez. Cada pergunta traz uma frase de contexto que explica o motivo antes de perguntar.
[Abertura]
Oi, [nome]. Aqui é do escritório [nome]. Antes de agendar sua conversa com o advogado, preciso entender rapidinho sua situação, leva menos de 5 minutos.
[Pergunta 1]
Sua situação é mais relacionada a: trabalhista, cível, família, empresarial, consumidor ou outra área?
[Pergunta 2]
Entendido. Você tem algum prazo judicial correndo ou uma data importante se aproximando pra esse caso?
[Pergunta 3]
Certo. Você já tem algum documento relacionado, tipo contrato, notificação ou boletim de ocorrência?
[Pergunta 4]
Só mais uma coisa pra eu direcionar certo: qual é o valor envolvido nessa questão, mesmo que aproximado?
[Pergunta 5]
E última: em qual cidade ou comarca esse caso tramita ou vai tramitar?
[Fechamento]
Perfeito, já tenho o que preciso. Vou te conectar com o advogado que atua nessa área. Qual o melhor horário pra você essa semana?
Quanto esse script economiza da agenda do advogado?
O ganho principal não é em número de reuniões, é em reunião que converte: menos caso fora do perfil significa mais tempo pra quem realmente vira cliente e mais previsibilidade na agenda do sócio.
Imagine um escritório de direito empresarial que recebia cerca de 15 pedidos de reunião por semana, boa parte fora do perfil (causa pequena, área que não atua, comarca distante). Ao aplicar o script antes de qualquer agendamento, esse escritório hipotético reduziu reuniões improdutivas em 40%, porque o caso fora do perfil era filtrado ainda no WhatsApp.
Esse é um exemplo hipotético, não um resultado medido, mas ilustra o mecanismo: cada pergunta a menos que precisa ser feita na reunião é minuto de análise jurídica a mais que sobra pra quem paga.
FAQ
Esse script substitui a análise jurídica do advogado?
Não. O script faz só triagem e qualificação: entende área, urgência, documentação, valor e comarca, e decide se o caso merece reunião e com qual advogado. A análise jurídica de fato começa na reunião, com o advogado olhando o caso e os documentos. Usar o script pra dar qualquer tipo de orientação jurídica antes da reunião é um problema ético que nenhum escritório deveria correr.
Posso rodar esse script manualmente, sem automação?
Sim. O script funciona igual bem com secretária ou recepcionista treinada quanto com automação via WhatsApp Business API. Só que atendente cansado ou sem roteiro na cabeça tende a pular pergunta incômoda, tipo valor da causa, e aí a triagem perde função. A vantagem de automatizar é responder fora do horário comercial e não depender de alguém disponível no momento em que o lead manda mensagem. Mas o roteiro das 5 perguntas é o mesmo nos dois formatos.
E se o cliente não quiser responder as 5 perguntas?
Uma parte dos leads vai resistir ou responder parcialmente. Isso é mais comum na pergunta de valor da causa, que soa invasiva pra quem ainda não confia no escritório. Nesse caso, o ideal é agendar mesmo assim com as respostas que existem, mas sinalizar internamente que a reunião tem informação incompleta. Isso evita perder um caso real por rigidez de processo, sem abrir mão de coletar o máximo possível antes.
Por que perguntar valor da causa antes de conhecer o cliente pessoalmente?
Porque o valor da causa (ou a complexidade, quando não há valor monetário claro) define se o modelo de atuação do escritório é compatível com aquele caso. Causa de baixo valor pode até caber no Juizado Especial sem necessidade de advogado, dependendo da faixa. Perguntar isso antes evita marcar reunião pra um caso que nunca vai virar cliente rentável pro escritório.
Como adaptar esse script pra um escritório que atua em uma única área?
Escritório de nicho único (só trabalhista, ou só família, por exemplo) pode remover a pergunta de área do direito e usar as 4 restantes: urgência, documentação, valor ou complexidade, e competência territorial. Nesse caso, dá pra aprofundar mais na pergunta de complexidade, detalhando subtipos do caso dentro da própria área. Um escritório trabalhista, por exemplo, pode trocar “área do direito” por “tipo de vínculo e motivo da rescisão”, o que já entrega informação mais útil pro advogado.
Esse script funciona pra escritório pequeno com poucos leads por mês?
Funciona, mas o ganho é proporcionalmente menor quanto menor o volume. Escritório que recebe 5 leads por mês consegue triar cada um manualmente sem processo formal. O script começa a valer mais a partir do momento em que o volume de leads supera a capacidade de triagem manual sem processo, o que costuma acontecer bem antes do que o dono imagina.
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